04/11/2026As mudanças no ambiente econômico brasileiro e a implementação da Reforma Tributária têm levado empresas a reavaliar seus modelos de negócio e suas estratégias de expansão. Com a chegada da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o avanço da implementação do split payment, mecanismo que prevê o recolhimento automático de tributos no momento da transação financeira, o planejamento tributário e operacional ganha ainda mais importância. Nesse cenário, o Paraguai vem despertando o interesse de brasileiros que buscam novas oportunidades econômicas, seja para morar, empreender ou expandir suas operações.
O movimento também aparece nas buscas na internet. De acordo com levantamento Google, as buscas pelo termo “como morar no Paraguai” cresceram 1.700% nas 48 horas seguintes à apuração das eleições presidenciais de 2026. O dado evidencia a crescente atenção voltada ao país vizinho, que tem atraído brasileiros interessados em conhecer suas condições econômicas e tributárias.
No ambiente empresarial, o Paraguai oferece condições mais competitivas para a atividade produtiva, especialmente no setor industrial. Um levantamento baseado em dados do governo paraguaio e da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai aponta que fábricas enquadradas no regime de Maquila têm uma média de 12% em impostos e encargos trabalhistas, ante cerca de 80% no Brasil. A diferença também se reflete no custo da mão de obra, estimado entre 30% e 40% menor no Paraguai em comparação com a contratação sob as regras da CLT brasileira.
O regime de Maquila prevê ainda uma tributação única de 1% sobre o valor agregado no país, além de incentivos à importação de matérias-primas e máquinas. Essas condições ajudam a explicar o interesse de empresas brasileiras pelo mercado paraguaio. Desde 2007, 232 companhias do Brasil passaram a produzir no país sob esse regime, segundo o levantamento. Muitas delas mantêm operações também no mercado brasileiro e incorporam o Paraguai às suas estratégias de expansão.
Para discutir esse cenário e as oportunidades de investimento no país, o Instituto Paulista de Contabilidade (IPC) e a Câmara de Comércio Brasil-Paraguai promovem, no dia 5 de novembro, em São Paulo, o encontro “Oportunidade para investir no Paraguai”. A programação contará com a participação de Luiz Fernando Nóbrega, presidente do IPC, e Jeancarlos Araldi, diretor-executivo da Câmara de Comércio Brasil-Paraguai. O evento começa às 19h, com recepção a partir das 18h.
“O cenário econômico e tributário exige que as empresas estejam cada vez mais atentas às oportunidades e aos caminhos para manter sua competitividade. O Paraguai tem despertado o interesse de empresários brasileiros por oferecer condições atrativas para a expansão de operações, mas uma decisão como essa exige planejamento e conhecimento. Nosso objetivo com a Missão Paraguai é aproximar os profissionais desse ambiente, promover o acesso a informações qualificadas e mostrar como a contabilidade pode contribuir para que as empresas avaliem essas oportunidades com segurança”, afirma Luiz Fernando Nóbrega, presidente do IPC.
“O Paraguai vem se consolidando como um destino relevante para empresas brasileiras que buscam ampliar sua presença internacional. Além de uma estrutura de custos mais competitiva, o país oferece um ambiente favorável à atividade empresarial e mecanismos de incentivo, como a Lei de Maquila, que podem tornar determinadas operações mais eficientes. É fundamental que os empresários conheçam as regras, compreendam as possibilidades e avaliem como o Paraguai pode se integrar à estratégia de seus negócios”, afirma Jeancarlos Araldi, diretor-executivo da Câmara de Comércio Brasil-Paraguai.
O encontro integra a Missão Paraguai, iniciativa promovida pelo IPC em parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Paraguai desde agosto. O projeto reúne atividades voltadas à discussão das oportunidades de negócios no país, incluindo palestras, encontros, rodadas de conversa e viagens presenciais ao Paraguai. Durante as agendas no país, empresários e profissionais têm a oportunidade de conhecer empresas, indústrias, estruturas logísticas e outros aspectos do ambiente de negócios local, ampliando sua compreensão sobre as possibilidades de investimento e internacionalização.
Fonte: jornalcontabil